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CRUZ-DIEZ - O INSTÁVEL DA COR

A obra cinética de Cruz-Diez assume, cada vez mais, um lugar inédito no mundo das artes plásticas, lugar este alcançado pelas diversas variantes de suas fisiocromias na construção de uma estrutura pictural autônoma. Nesta transmutação de elementos plásticos e de signos gráficos, o artista elabora uma textura sólida em matéria bem lisa, a qual irradia a matéria cromática – “a cor aditiva”, segundo suas palavras –, tendo como base grande número de linhas paralelas, de diferentes cores que vão se misturar e criar uma nova cor aos olhos de quem as observa. O sistema de quase veladura sobrepõe-se às cores, e cada uma delas se mostra como se ‘tragasse’ as demais, sempre vibrando e com várias possibilidades que as movem em função do elemento plástico.

O espaço de Cruz-Diez, definido pelo cromatismo cinético, vem de sua experiência corpórea, a qual lhe sinaliza que é necessário o olhar do espectador para completar a obra e este deve participar desta dupla vibração da superfície que emana da cor e da forma chamada por ele de “cromointerferência”.

Em Fisiocromias, o artista vai revalorizar cada uma das cores que emprega no espaço específico e, também, a variação dos tamanhos das lâminas, criando assim novas possibilidades de formas e fórmulas cromáticas de justaposição, daí resultando volumes que, muitas vezes, anulam a geometrização do campo pictórico. Em certas fisiocromias, Cruz-Diez dá à Cor total autonomia.
Assim, o artista vem enriquecendo, constantemente, a linguagem plástica contemporânea, na qual atua não por meio do mito do artista puro, mas de um ser consciente do tempo presente, das possibilidades tecnológicas atuais, do conhecimento do desenho e da linha e das possibilidades ópticas.

A cromossaturação, em que “a cor está no espaço”, transforma-se no clima da cromointerferência e o acontecimento se dá na presença da cor que transcende com a dimensão simbólica da luz. Ou seja, o olhar do espectador é convidado a transitar entre as raias de cores, pelos efeitos de sombra e luz e pelos jogos de contrastes tonais materializados nos efeitos visuais efêmeros e na ilusão.

Cruz-Diez estabelece, assim, o método que confere certa consistência filosófica de maturidade à sua poética e margeia a fisicalidade da cor e suas nuances, o sistema de cores e a luminosidade que delas emana, tornando a experiência do olhar em acontecimento.

“Compreendi que el problema no era mirar sino ver” - Cruz-Diez

Cristina Burlamaqui
Março de 2010

 

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